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Resiliência: o segredo milenar de Jó aplicado em 2018

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Estamos à véspera de iniciar um novo ano e, se você é tão humano quanto eu, deve estar cheio de grandes expectativas. Neste período de transição, nós acabamos sendo tomados por um sentimento de novidade e ânimo que nos faz, por algum tempo, crer que, efetivamente, as coisas em 2018 serão diferentes de 2017 e que, “desta vez”, teremos força suficiente para fazermos tudo diferente e em uma versão bem melhorada.

Tenho certeza que analisando os anos anteriores, você já deve ter percebido que isso normalmente não acontece ‘magicamente’ como imaginamos. Passada a euforia das festas começamos a perceber que a vida segue o mesmo ritmo de antes, voltamos à frequentar os mesmos lugares, a desejada perda de peso continua no papel, o saldo no banco está menor do que antes, a saudade da pessoa amada que se foi continua sufocando, o diagnóstico de câncer não deu alteração positiva, a carta de divórcio continua esperando sua assinatura,  relacionamentos tóxicos que nos sugam emocionalmente há anos continuam no nosso círculo mais próximo e nós somos impotentes demais para nos livrar disso.
Despertados da utopia, permanecemos mais um longo período do ano brigando com a balança, inquietos com nossas relações interpessoais, lutando contra depressão e ansiedade, mergulhados no pântano do luto, oscilando entre o desânimo e o descrédito pessoal. Ou seja, o ano foi, mas os problemas continuam bem vivos, apenas esperando o badalar das 24h para recomeçarem.
Não é só você que está enfrentando problemas. Seu vizinho, seu patrão, seu empregado, seu filho, sua esposa, seu pastor... Todos nós inevitavelmente vivemos momentos de desconforto psicológico.  A verdade é que a vida é cheia de surpresas e nós, gostando ou não, precisamos aprender a lidar com elas antes que elas liquidem conosco. Jó é um exemplo fascinante de superação e com ele vamos aprender um segredinho básico para 2018: a resiliência.
O termo “resiliência” quer dizer – em seu significado na Física - o nível de resistência que um material pode sofrer frente às pressões sofridas e a capacidade dele voltar ao seu estado original sem sofrer danos ou rupturas. Como é de se imaginar, na Psicologia a resiliência é a capacidade de uma pessoa responder às frustrações diárias, em todos os níveis, e sua capacidade de recuperação emocional. Ou seja, a capacidade de recomeçar tudo de novo, depois de sofrer algum dano da vida, quer material, físico, mental e até mesmo espiritual. Ser resiliente constituiu um desafio constante na vida de um cristão. Não diferente de nós, Jó experimentou a dor da provação. Vamos fundamentar todas as suas estratégias de enfrentamento dos problemas no texto abaixo:
“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação,
perseverai na oração.”  Romanos 12:12.
Alegria na esperança – A primeira base do ‘tripé da resiliência’ é a esperança. Esperança é crer, é ter expectativa de que algo bom ainda vai acontecer. Em momentos de crise, pensamentos negativos são um convite à depressão e à desistência de tudo. É hora de gerenciar seus pensamentos! Exercite sua mente, coloque-a para trabalhar substituindo pensamentos de desânimo para pensamentos carregados de esperança. Diante de todas as tragédias que lhe assolaram, (de uma vez perdeu todos os seus bens – fazenda, gado, rebanhos, etc., perdeu sua casa, perdeu todos os seus filhos e até mesmo sua saúde), Jó tem a coragem de bradar:
“Porque eu sei que o meu Redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra.” Jó 19.25
É interessante notar que este texto é uma profecia acerca da ressurreição de Jesus, um fato que ocorreu cerca de 2.033 anos depois da história de Jó. Embora ele tivesse esperança de que Deus daria um fim no seu sofrimento ainda em vida, ele entendia que as aflições que vivia não se podiam comparar com a glória que teria ao se encontrar com o seu Redentor no céu.
Talvez você tenha um problema que terá que carregar para o resto da vida, como uma doença genética e/ou degenerativa, sequelas de um acidente ou de um vício, a dor e saudade de alguém que morreu, consequências de erros do passado, etc. Mas até nestas situações você pode se alegrar na esperança, trazendo à lembrança a Palavra de Deus:
“ Para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Rm 8.18)
“E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Apocalipse 21:4)
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”. (Lamentações 3.21)
Paciência na tribulação: A segunda base do tripé da resiliência é a paciência. A paciência é a capacidade do indivíduo de esperar o tempo oportuno para recomeçar. Muitas pessoas não conseguem nem mesmo vivenciar sua dor, ‘ouvir’ seus sentimentos e já querem agir. É o caso de alguém que passa por um momento tumultuado e recorre à automedicação a fim de pôr um fim rápido à sua dor, mascarando-a. A dor precisa ser sentida. Este é um grande segredo para a saúde mental que poucos querem aderir. Em outros casos, a pessoa se sente traída e acaba agindo por impulso, movido à vingança, causando mais decepções e culpas. Para todos esses momentos há um tempo de espera, há um tempo de exercer a paciência. Jó é lembrado muitos anos depois por Tiago pela sua paciência frente à tribulação:
“Como sabeis, temos por bem-aventurados os que perseveraram. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu. O Senhor é cheio de misericórdia e compaixão.” Tiago 5.11
Perseverante na oração – a última base para o tripé da resiliência é a perseverança na oração. Orar é se relacionar com Deus, não apenas de forma circunstancial, mas diária. Orar é a chave para a vitória! Até o momento tudo vem acontecendo na psique humana: a esperança do recomeço e a paciência que permite o aprendizado e que dá experiência. Depois da mente fortalecida, passamos a agir, isto é, a orar. E é na oração que a nossas vitórias acontecem. Uma pessoa movida pela oração é impulsionada a tomar iniciativas, assumindo uma postura corajosa e disposta à recomeçar.
“Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este ORAVA pelos seus amigos, e deu o Senhor a Jó o dobro de tudo o que antes possuíra.” Jó 42.10
Te desafio que ainda antes de findar 2017, faças um propósito de reter o melhor das adversidades. Desejo que a resiliência de Jó sirva de inspiração no aperfeiçoamento da sua própria resiliência e que 2018 seja um ano de muito aprendizado, recomeços e boas notícias.

Por: Iaskara Tavares