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"Existe a necessidade de que mais missionários sejam enviados", relata presidente da CBC

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O presidente da CBC, pastor Delmir Paz, e sua esposa, Miriam, visitaram recentemente o trabalho missionário da CBC que atende indígenas da etnia Kayapó, no estado do Pará. No local, os visitantes foram recebidos pelo casal responsável pelo campo, Paulo e Eunice da Silva, com quem compartilharam o cotidiano dos nativos, tanto na área urbana, como nas aldeias. O presidente retornou ao sul do Brasil neste sábado(03). No meio do caminho, um problema mecânico atrasou a viagem, algo que o pastor considera como um “livramento divino”, pois soube horas depois que, exatamente na estrada onde iria percorrer se o carro não tivesse o impedido, houve uma forte tempestade que causou vários acidentes. Por telefone, ele relatou como foi a experiência de visitar pela primeira vez na vida uma localidade de nativos.


Portal Batista: Pastor Delmir, como foi conhecer pessoalmente o trabalho entre indígenas e de quais atividades o senhor participou lá?
Pastor Delmir Paz: Para nós foi uma experiência muito produtiva, pois conhecemos in loco a situação dos indígenas e também dos missionários que atendem o campo, tanto nas aldeias, como na área urbana. Durante nossa viagem, visitamos as Casas de Apoio e Casas do Índio que são lugares onde prestam serviços aos indígenas na área urbana, nas cidades de Tucumã e Ourilândia. Também visitamos nove aldeias Kayapó, quando usamos um barco voadeira pra atravessar o rio, e entre ida e volta, percorremos mais de 300km. Nessas localidades, encontramos um cristão indígena que estava doente com tuberculose e oramos por ele, mas, a experiência mais maravilhosa foi realizar o batismo de 11 novos irmãos dentro da aldeia.


P.B.: E como foi a receptividade dos indígenas?
P.D.P: Bem, uma das características deles é ter confiança em quem já se conhece, por isso, fomos acompanhados de nossos missionários que nos apresentaram, e assim, fomos bem recebidos, não apenas pelos indígenas já convertidos, como também por aqueles que ainda não são cristãos. As crianças são as mais curiosas, sempre à nossa volta e os pajés [que são os líderes espirituais] também nos respeitaram bastante. Os irmãos indígenas são muito animados. Um grupo deles cantou louvores durante todo o tempo em que caminhava até o rio onde foi realizado o batismo, um trajeto com cerca de 400 metros. Eles sabem alguns corinhos em português, como “Quem é este povo”? e ao final dos cultos, sempre formavam filas pra nos cumprimentarem, já que éramos visitantes.


P.B.: E como é a característica das aldeias?


P.D.P.: Em algumas aldeias, a predominância de população é de crianças, em outras, as mulheres são a grande maioria. Algumas destas localidades são mais desenvolvidas do que outras, com luz elétrica e escolas de alvenaria. O serviço de educação nas aldeias é prestado pela prefeitura de São Felix do Xingu, e como o trajeto de barco leva cerca de cinco dias, os professores municipais permanecem entre os indígenas por vários meses, sem voltarem para casa.

P.B.: E quanto ao trabalho dos missionários Paulo e Eunice, como o senhor descreveria, agora que já conheceu o campo pessoalmente?

P.D.P.: O trabalho de nossos missionários é basicamente dividido em dois pontos: na área urbana e nas aldeias. Na cidade de Tucumã, o trabalho desenvolvido pelo casal se parece muito ao de serviço pastoral, pois lá eles oferecem aconselhamento e acompanhamento espiritual aos indígenas que visitam diariamente a base missionária da CBC. Já nas aldeias, eu diria que o grande diferencial de trabalho começa com a questão do transporte, pois os missionários enfrentam enchentes no rio e outras intempéries para irem até os nativos e ao chegarem lá, deparam-se com a vida nativa e sofrem um choque cultural. No entanto, os problemas enfrentados pelos indígenas são os mesmos enfrentados pelas demais pessoas, como atritos familiares e vícios. Há irmãos indígenas convertidos e também mulheres, que trabalham e lideram a Obra dentro das aldeias. Em um dos povoados já temos uma capela erguida pelo trabalho da CBC, e nosso próximo desafio é realizar a construção de mais uma, até o final deste ano. Existe também uma necessidade de que mais missionários sejam enviados.
 

P.B.: O que um missionário precisa saber para atuar em um trabalho entre nativos?

P.D.P.:  Em primeiro lugar, eu gostaria de salientar que a necessidade de evangelização não é apenas entre indígenas. Nossa denominação está orando e trabalhando para o surgimento de novas frentes missionárias, em outros estados do Brasil e, também, nos demais países do Mercosul. No entanto, o povo Batista conservador precisa despertar-se a contribuir com a Obra, pois o material humano já está sendo preparado e projetos como o JoseC, são exemplos disso. Para um missionário que deseja servir entre nativos, é necessário um conhecimento de missão transcultural, e não apenas a formação teológica. Conhecer a língua e a cultura dos indígenas é imprescindível para que o enviado agregue teoria e prática em seu campo de atuação.