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Id, Ego e Superego: uma conversa entre Freud, Salomão e Paulo

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Provavelmente os nomes “id, ego e superego” soem estranho aos seus ouvidos. Mais estranho ainda é saber que você é o resultado deles. Como assim? Freud explica! Id, Ego e Superego são conceitos criados por um psicólogo chamado Freud para explicar como funciona a nossa mente.

O “ID” é o componente regido pelo ‘princípio do prazer’ e todas as pessoas nascem com ele, é nato. Ele consiste nos desejos, nas nossas vontades, nossos impulsos mais primitivos.
O “EGO” é o componente que surge a partir da interação da pessoa com sua realidade. É o mecanismo responsável pelo equilíbrio da nossa mente, procurando regular os impulsos do ‘ID’ ao mesmo tempo que tenta satisfazê-lo de modo menos imediatista e mais realista.  É um componente moral, levando em consideração as normas éticas existentes e atuando como mediador entre id e superego.
O “SUPEREGO” é o componente inibidor da mente e atua de forma contrária ao id, sendo o ‘conselheiro’ do Ego, alertando-o sobre o que é ou não moralmente aceito, de acordo com os princípios que regem a vida da pessoa.
À primeira vista isto pode parecer meio difícil de entender, mas acompanhe esse exemplo cotidiano: Você está no trabalho e descobre que um colega inventou muitas mentiras a seu respeito, espalhando boatos, fazendo intrigas e calúnias. Além do desconforto todo, seu emprego está em risco. Seu ID reage de forma impulsiva, ativando uma enorme vontade de resolver o assunto à sua maneira. Você pensa: “Que vontade de matar ele!! Se ele passar na minha frente eu vou dar um soco na cara dele. Ele vai ouvir poucas e boas. Não levo desaforo para casa”. O SUPEREGO se manifesta em posição contrária, te levando a pensar: “Isso não está certo. Você não pode fazer isso. É errado.”. O EGO por sua vez, irá mediar o conflito, criando questões como: “Você pode conversar com ele para esclarecer o assunto ou ainda falar com seu chefe e explicar o que está acontecendo.”.
Freud explica que essas três “partes” da mente atuam em conjunto dando origem aos nossos comportamentos. Aproximadamente 2870 anos antes de Freud escrever sua teoria, vemos na Bíblia, o sábio rei Salomão ensinando algo realmente parecido: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Provérbios 4.23).
É importante ressaltar que na época do rei Salomão, o coração era considerado a sede dos sentimentos. Entende-se hoje que a palavra ‘coração’ é um nome poético para a nossa mente, então, neste artigo, quer falemos mente, quer falemos coração, estamos falando da mesma coisa.
Considerando isto, podemos resumir o provérbio de Salomão em: “Cuide da sua mente porque dela procedem seus comportamentos.”. A sua mente determina a sua vida! Ela é o nosso bem mais precioso e devemos ter sabedoria em como usá-la.
Freud e Salomão concordam entre si quando falam sobre o ‘ID’. Freud diz que nosso ID é nato, ou seja, já nascemos impulsivos, querendo que nosso desejo se realize custe o que custar e completamente amoral; Salomão nos diz que “a estultícia está ligada ao coração da criança.” (Pv. 22.15). O salmo de Davi (pai de Salomão) de número 51, verso 5 nos diz também: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.”, ou seja, todos nós nascemos amorais (ausência da moralidade), completamente incapacitados de vivermos em comunhão com os outros e principalmente com Deus.
Por volta dos cinco anos de idade, a criança começa a desenvolver seu SUPEREGO. Ela começa a receber forte influência da família e do grupo de convivência mais próximo, que ensina o que é certo ou errado, conforme suas convicções, conforme sua regra moral. É por isso que Salomão adverte aos pais e cuidadores: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv. 22.6). O Rei Salomão tinha Deus como a maior autoridade em moralidade da sua vida e baseado nos mandamentos divinos, escreveu vários provérbios, diferenciando e exemplificando o que é certo e errado.
Diariamente, e principalmente nos momentos mais decisivos da nossa vida, nos vemos confusos entre nossa vontade (ID) e nosso código moral (SUPEREGO). São como vozes na nossa mente sugerindo posições contrárias e que esperam que tomemos uma decisão rápida.  O apóstolo Paulo, tal qual você e eu, viveu este conflito entre id e superego:
“Então, ao querer fazer o bem(superego), encontro a lei de que o mal reside em mim(id). Pois segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus(superego), mas vejo nos meus membros outra lei que guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros(id).  (Rm 7.21-23)
Nesse momento de ‘guerra’ mental, onde o EGO não está conseguindo encontrar um equilíbrio entre ID e SUPEREGO, Paulo desaba cheio de dúvidas e frustrações: “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24)
E é neste momento de crise que Paulo toma a maior das decisões: entrega seu EGO a Cristo Jesus. Ele deixa que Jesus estabilize sua mente/coração, e, esperançoso brada: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. [...] Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm 7.25; 8.1)
Você não precisa ser dirigido pelas suas vontades e nem escravizado por um moralismo meramente religioso. Você está em dúvida sobre qual caminho seguir? Seu EGO não sabe como mediar seu ID e SUPEREGO diante de alguma decisão importante? Então deixe Jesus fazer isso por você, pois “agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança...” (Hb 8.6)
“E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” (Apóstolo Paulo em Filipenses 4.6)