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Laodicéia: Traços culturais de um povo atribuídos à Igreja

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Por *Gesom Soares Noronha

Baseado em ministração feita durante a Conferência CBC 2018, com referência bíblica em Apocalipse 3: 14-18 

Voltando o olhar para a cortina histórica da conhecida Igreja de Laodicéia, descrita no livro de Apocalipse, é possível, sim, compreender com mais detalhes o que Jesus verdadeiramente quis transmitir emititindo uma mensagem ao Anjo desta Igreja. É importante entender que em sua Carta, Ele atribuiu alguns traços culturalmente aceitos, pregados e defendidos pelo povo da cidade.
Vejamos o contexto em que a Igreja estava inserida:
A cidade de Laodicéia estava situada no vale de Lico, na Ásia Menor. Esse vale era composto por três cidades principais:
Colossos: Conhecida por suas fontes de águas frias;
Hierápolis, Conhecida por suas fontes de águas termais;
Laodicéia: Conhecida por suas águas mornas.
O abastecimento de água da antiga cidade de Laodicéia era feito por meio de aquedutos das fontes termais que ficavam ao sul da cidade. A qualidade desta água não era boa e Laodicéia ficou conhecida por ser uma cidade com água não potável. Ao ingerir o enfadonho líquido, os moradores da cidade sentiam náuseas e o vomitavam. Semelhantemente, Jesus sentiu vontade de vomitar de sua boca a Igreja de Laodicéia (Ap. 3:15-16).
Outras características da cidade de Laodicéia que Jesus usou como base para sua Carta:
- Foi conhecida como um centro bancário (3:17-18), tornando- se a cidade mais rica da Frigia naquele tempo (mas seus habitantes eram pobres - mais do que isso, miseráveis).
- A cidade produzia lã preta (Ap.3:18), o que a tornou famosa por suas indústrias têxtis e seus habitantes se orgulhavam das finas roupas que comercializavam e usavam. Mas, eles estavam nus, desprovidos da Glória e do conhecimento de Deus.
Laodicéia fabricava um tipo de colírio para os olhos (Ap. 3:19), mas o deus do presente século os havia cegado.
Laodicéia era conhecida como uma cidade que não oferecia um abastecimento de água potável para seus moradores como o exposto no começo deste texto. Uma mistura de águas geladas e quentes encanavam pelo aqueduto principal e quando chegavam aos reservatórios estavam intragáveis, pois tornavam- se mornas. As águas quentes de Hierápolis eram medicinais, as geladas de Colossos matavam a sede dos moradores e caminhantes. E as águas de Laodicéia? Serviam para quê? Não serviam para nada, a não ser para serem vomitadas, devolvidas.
Amados leitores, chegamos ao ponto máximo da nossa leitura, e a pergunta é:
Será que a Igreja desse tempo é conhecida por possuir características de sua própria natureza ou está sendo reconhecida por possuir as características da sociedade moderna? O que vem abastecendo a Igreja? Águas puras ou uma mistura de tudo? Ou será que eses padrões culturalmente aceitos e praticados pela sociedade são distinguidos pela Noiva de Cristo?
É importante salientar que quando examina-se a cultura laodiceiana é possivel perceber que aparentemente não havia nada de reprovável em sua forma de viver (eles não eram sodomitas, babilônicos, egípcios). Parece irmãos, que ultimamente estamos detidos a filtrar apenas os pecados mais grosseiros no meio da Igreja, porém, esqueçemos que a cultura humanista de Laodicéia tem feito o povo de Deus perder sua verdadeira definição. Estamos contentes com grandes conquistas, grandes eventos e estamos deixando de lado a verdadeira fonte de águas vivas, na qual devemos nos dessedentar e também oferecer às pessoas deste mundo, que vêm de uma longa caminhada de sofrimentos e decepções - uma água que verdadeiramente possa satisfazer suas necessidades. Em Laodicéia existia uma Igreja que possuía os traços da cidade em que estava inserida, onde pessoas pautavam seus interesses em coisas passageiras, levando a uma vida miserável e vazia: era tudo igual, nada de diferente, uma Igreja que não servia mais como modelo para o mundo e seu sistema, e  ao contrário disso, conformada (Rm 12: 1-2), aceitando os moldes e padrões culturais vividos e normalmente aceitos pela comunidade laodiceiana, contrariando assim o significado do nome “Ek klesía” (tirados para fora). As águas de Laodicéia representam uma verdadeira enxurrada de conceitos humanistas, solapando assim o que a Igreja tem de mais importante.  Perdendo a visão das coisas eternas, a Igreja começa a olhar para si mesma, formando um conceito próprio de normas e condutas.
Como a Igreja começa a enxergar-se:
Rica, não tendo falta de nada. (ilusão de ótica).
Como Deus via a Igreja de Laodicéia: pobre, cega, desprovida da Graça, miserável e nua. O critério de avaliação divina é bem mais elevado do que os critérios humanos. Deus via além de conquistas terrenas e riquezas passageiras, pois o Senhor desejava e ainda deseja enriquecer sua Igreja com a Glória Dele.
Gostaria de finalizar perguntando:
QUE TIPO DE ÁGUA ESTAMOS RECEBENDO EM NOSSOS RESERVATÓRIOS ESPIRITUAIS, E CONSEQUENTEMENTE, QUE TIPO DE ÁGUA ESTAMOS OFERECENDO?
Águas que saram os enfermos? Águas que saciam os sedentos? Ou as nossas águas estão doentes, precisando serem curadas? Nossa fonte é única ou dupla?
Amados irmãos, que Cristo possa conduzir-nos a cada dia no centro de sua Soberana Vontade, a fim de podermos com graça compreender que não são somente pecados grosseiros que nos tornam reprováveis diante de Deus, mas detalhes às vezes bem pequenos, que culturalmente são aceitos e pregados na nossa sociedade. Esses erros que parecem inofensivos podem tornar-se uma dose fatal contra os escolhidos que desejam morar no Céu. Sugiro que esses conceitos sobre Laodicéia, e aplicados neste texto, possam tornar-se objeto de estudos e pesquisas, e quem sabe também um próximo artigo nesse veículo de comunicação.
Mui respeitosamente em Cristo, vosso amigo irmão e pastor.

*Missionário e pastor responsável pela IBC Cedro-CE