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Diferenças entre o Tribunal de Cristo e o Juízo Final

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         Há pouco tempo atrás assisti a um conferencista que em determinado momento de sua pregação, fez uma confusão entre o Tribunal de Cristo e o Juízo Final. Notou- se sua falta de conhecimento sobre a complexidade escatológica.
        Os conceitos aqui emitidos seguem nossa linha dispensacionalista que julgamos ser a mais bem fundamentada biblicamente. Segundo vários textos das Escrituras e numa abordagem minuciosa, podemos claramente observar que há diferenças entre estes dois julgamentos futuros. Dado à economia de espaço não é razoável expor todos os textos que falam do assunto; aqui são mencionados alguns tópicos considerados como principais.
              
                                                 DIFERENÇA QUANTO À ÉPOCA

          O Tribunal de Cristo dar- se- á em seguida ao arrebatamento da igreja na segunda vinda de Jesus à terra (1Ts.4.16,17). Paulo destaca duas coisas neste evento maravilhosíssimo:
a) A ordem dos arrebatados, sendo os mortos ressuscitados seguidos pelos vivos;
b) O local do encontro será nos ares. Segue- se as Bodas do Cordeiro (Ap.19.6,7) e a preparação para a eternidade.
         O Juízo Final (do trono branco) se estabelecerá mil anos após o arrebatamento da igreja (Ap. 20.4,6). O tempo entre estes dois processos será caracterizado pela plenitude de paz que haverá em toda a face da terra, em que na profecia de Isaias, “não se fará mal nem dano algum em todo o monte da minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (11.9) e, segundo João,” E vi um novo céu, e uma nova terra” (Ap.21.1).

                                                 DIFERENÇA QUANTO ÀS PESSOAS

           No Tribunal de Cristo comparecerão especificamente os crentes, cujos nomes estiverem inscritos no livro da vida (Ap.20.12). Convém salientar que todo crente deve ter certeza e experiência de que o registro de seu nome deve constar já permanentemente nesta vida (Lc.10.20, Fl.4.3); e mais, é necessário vigiar e batalhar para que jamais seja apagado do livro da vida (Ap.3.5).
         Os que comparecerão perante o Juízo Final serão os incrédulos cujos nomes não constam no livro da vida (Ap.20.15). O que exclui alguém do livro da vida é a incredulidade, por ter rejeitado a Cristo como Salvador pessoal.  A Carta aos Hebreus adverte que assim como o povo de Deus não pode entrar na Terra Prometida. A desobediência e a incredulidade impedem a entrada no céu (Hb.3.18,19). Resumindo: O Tribunal de Cristo será para os crentes (Rm.14.10.12, 2Co.5.10); o Juízo Final será para os incrédulos (Ap.20.11-15).

                                                 DIFERENÇA QUANTO À RECOMPENSA

           O Tribunal de Cristo terá caráter premiatório; nele os crentes serão chamados para receberem o galardão por fidelidade a Cristo e por tudo que fizeram em prol do reino de Deus e pelo amor ao próximo (Ap.22.12). Todo o bem praticado, em nome de Jesus (para sua glória), por mínimo que seja, mesmo no anonimato, será contabilizado na presença do Senhor (Mc.9.41). A salvação é única e exclusivamente pela graça, através da fé em nosso Senhor Jesus Cristo, independentemente de qualquer mérito (Ef.2.8,9), mas o galardão é pelas obras (2Co.5.10).
          O Juízo Final ao contrário, se revestirá de caráter condenatório, sem apelação. Não haverá mais graça salvadora e nem perdão. O acerto com Deus, através do perdão e da reconciliação, somente é possível antes da partida desta terra; a morte sela o destino eterno de cada ser humano (Hb.9.27). Toda seita que apregoar uma segunda chance após a morte, é heresia e perda de tempo. O tempo de Deus para salvação chama se hoje (Hb.3.7,8).

                                            DIFERENÇA QUANTO ÀS RESSURREIÇÕES

         Qualquer leitor da Bíblia entende que todos que morreram, que morrem e que morrerão até findar a história da humanidade haverão de ressuscitar para serem julgados. O apóstolo Paulo expõe esse tema com muita clareza e convicção aos filósofos de Atenas, afirmando que Deus “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando- o dos mortos.” (At.17.31).
         A ressurreição geral será dividida em duas etapas. A primeira será para o comparecimento dos crentes no Tribunal de Cristo. Nela tomarão parte os crentes que morreram durante o período do Velho Testamento e os que morreram em Cristo durante o período da Igreja cristã (1 Ts.4.16, Ap.20.6). Segundo as expressões do apóstolo Paulo, a nossa ressurreição revestir- se-á de indescritível apoteose “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com voz de alarido, e com a voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro”.
         A segunda ressurreição será para os que rejeitaram o plano de Deus para a salvação; estes comparecerão perante o juízo de Deus para serem julgados e condenados eternamente (2Ts.1.7-9).
         As duas ressurreições serão diferentes em tempo, em objetivos, em juízo, em penas e em juízes (Ap.20.5, 2Tm.4.1, Jo.5.28,29, Ap.6.16).
   
                                                     DIFERENÇA QUANTO AOS JUÍZES

         Entre o Tribunal de Cristo e o Juízo Final há também diferenças entre os Magistrados. O primeiro já tem seu nome revelado. Como já foi abordado, Jesus não estará assentado no seu trono de glória para condenar. Ele estará em festivo cerimonial com seus seguidores, evento anunciado como Bodas do Cordeiro (Ap.19.7-9), quando então cada cristão receberá seu galardão.
         Em algumas parábolas Jesus nos ensina que haverá diferenciação em relação ao que se faz em e prol de seu reino. Por exemplo, na parábola dos dez talentos o Senhor disse: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor” (Mt.25.21).
          No Juízo Final Deus será o juiz (Ap.20.11). O autor da carta aos Hebreus coloca Deus como o juiz de todos e a Jesus o mediador da nova aliança, ou seja, o Salvador é o elo de ligação e intermediação entre nós e o Pai. O Rei Salomão adverte que o ser humano é livre para fazer tudo que quiser (livre arbítrio dado por Deus), mas no dia do Juízo Final cada ser humano terá que prestar conta de tudo ao seu Criador (Ec.11.9).
          No Juízo Final muito pesará a rebelião a Deus, a rejeição de seu plano para com a humanidade e a rejeição de seu Filho como Salvador dos pecadores. Mas graças a Ele que “agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.” (Rm. 8.1).